domingo, 5 de abril de 2020

SAFO À BEIRA MAR

Atravesso a cidade como uma flecha
Deixo para infartar mais tarde
Sinto todas as nuances da existência no metrô
Trabalho esse poema
Escorrego no banco e me recomponho
Falta uma estação.
Tenho um celular que funciona e apesar da extração desumana de Silício eu escuto Range Life do Pavement nos meus fones de ouvido (pouco importa)
Vivo no Rio de Janeiro em janeiro de 2020.
Se tudo der certo eu me safo
Se tudo der certo.


COACHING LITERÁRIA

Eu sou essa que escreve em qualquer lugar
Usa qualquer coisa pra fazer poesia
Enlouquece na medida do possível
E vive, acima de tudo.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

REVELAÇÃO VIRAL

Esperávamos um tsunami
Um meteoro
Uma invasão alienígena ou
bolas de fogo.
Quem se importa com os mortos em NY,na Lombardia?
Como estará se protegendo o Bob Dylan na quarentena?
Todos os poetas escrevendo
Os mares purgando
 As flores crescendo e os desempregados recentes se jogando de sacadas no 8° andar.
Como estarão os bons (em desespero)
Os maus (em desespero) e os imunizados acima do bem e do mal...
A quantas anda o jornal? Só não fatura mais que os supermercados e as UTIS
Mas vejo da janela o sol que ainda se levanta
E o vento forte que pulsa como antigamente
Algumas coisas se repetem
A mesma cama,o mesmo drama,a mesma gana
De resistir.

sábado, 16 de novembro de 2019

NA PISTA

Estou cada dia mais distante e aérea,
como um balão de gás hélio...
me afastando das pessoas com meus
segredos introspectivos e minhas
certezas subjetivas ( é tudo afinal sobre si)
sei que existem possibilidades infinitas e, se tudo der certo e a vida durar,continuarei esperando que os outros falem pra fora alguma verdade,
continuarei calculando a idade da terra
e quebrando todas as chaves na fechadura.
sinto que chegarei lá mas por enquanto
só estou dispersa,
recebendo e processando,
diletante mas compreendendo,
passando a esmo nas estações de metrô,
atravessando bairros distantes.
curtindo na casa do cara,
dormindo no apê da mina,me vendendo nos grandes magazines da cidade grande.
circulando e, apesar de tudo, sobrevivendo.
sendo inocente e boa hoje, indecente e má amanhã.
eu estou no mundo:
oficio único e individual dos viventes,
tudo que me for permitido eu serei
e quem pode me parar?
estou para o Brasil
como o mar está para peixe...afogada e respirando,
submersa até a medula.
a vida é minha unica companheira e a essa altura do campeonato,
o que poderá me deter além da morte?
isso não é um poema apenas,
não um poema superficial.
no jornal,
notícias tórridas,
e apesar delas,
o fim dos dias é só uma possibilidade remota.
Os pássaros que voam alto sobre a praia de Ipanema
Nem imaginam o que acontece aqui embaixo,entre esses nômades urbanos,bípedes e familiares seres humanos
Não sabem que se passam em nossos corações dúvidas e tormentas
Para os pássaros, raios de sol !
Mal intuem meu infortúnio,
nossas disputas,e a bem da verdade não estão nem aí...
Assim também as adolescentes cheias de coquetismo que com biquínis multicoloridos
louvam os dias em sua inocência e juventude.
Ipanema,parte intacta do paraíso,tem policia e ladrão (não se sabe quem é quem) e a opinião pública aqui vem,entregar suas dores ao mar.

FUGAZ

Tudo sob controle na cidade
Não choveu granizo
Ninguém foi assaltado na Presidente Vargas
O comércio abriu e fechou as portas como de costume.
Só você não estava lá para ver como os sentinelas do primeiro batalhão estavam alertas,
E como na padaria,todo mundo se acomodou civilizadamente na fila do pão
Você estava em outra parte,quase em outra dimensão...
Tão longe e tão perto.

AO INFINITO...E ALÉM

Até aonde der
Para todo sempre até parar
Em cada passo
O balanço do teu olhar
Nossa bossa nova
Tão velha para momentos de crise
Sucumbimos ao fenômeno do tempo
Detalhes escandalosos entre escalas brutas
Palavras torturantes,estadias temporárias,defeitos irremediáveis
Te amo só por hoje,tão cândida alegoria é teu cabelo
Desfazê-lo,novelo de fantasias
O tempero do nosso amor é a liberdade.
E não importa a nossa idade,consumimos os dias incivilizados como quem dedilha a lira
Contornamos os problemas,resolvemos a questão e damos uma bela trepada.
Tenra madrugada
Tua mão embaixo dos lençóis,eu pecadora
De manhã, santa trabalhadora.
Nosso modo de fazer as coisas
E os dias correndo.